Vitória pensou contratar Felipe Scolari

Em entrevista ao portal Bahia
Notícias, o vice-presidente do EC Vitória, Carlos Sergio Falcão, falou sobre o
projeto do clube e confirma que fez uma sondagem a Luiz Felipe Scolari, atual
técnico da Seleção Brasileira.

O entrevistado desta semana da
Coluna Esportes é o vice-presidente do Vitória, Carlos Falcão. O dirigente
revelou um plano estratégico com metas até 2020. “Nós estamos falando de um
projeto de futuro, nós não pensamos o Vitória em 2013. Nosso planejamento
estratégico é o Vitória 2020”, afirmou. Ele ainda comentou das cinco partidas
que serão disputadas na Arena Fonte Nova e também de uma sondagem para
contratar o técnico Luiz Felipe Scolari, no ano passado.

Bahia Notícias – Mais tranquilo
agora após o acesso conquistado e uma montagem de time com mais coerência. Dá
para apontar os erros e acertos da temporada passada?

Carlos Falcão – Eu acho que toda
temporada quando termina, o primeiro passo é essa avaliação. Obviamente nós
tivemos vários acertos no ano passado, e não somente no futebol, nós tivemos
acerto no marketing com a campanha de maior sucesso, na minha opinião, da
história do futebol brasileiro. Nos esportes olímpicos, nas divisões de base,
título histórico da Copa do Brasil, e também no futebol com o acesso. Então o
Vitória no ano passado, teve muitos acertos, poucos erros, mas não somente no
futebol. Em todas as áreas em que você olha o clube hoje, nós temos o que
comemorar, e é isso que nós procuramos fazer, fazer sempre o melhor.

BN – Qual a principal diferença na escolha de nomes da temporada
passada para esse ano?

Falcão – O orçamento. O Vitória
vem, apenas para efeito de comparação, em 2007, quando eu assumi a
vice-presidência do clube, de R$ 11 milhões no ano. No ano passado tivemos um
orçamento na faixa de R$ 50 milhões. Esse ano estamos com um orçamento um pouco
maior que R$ 60 milhões. O que significa? A cada ano, o Vitória vem buscando
sua solidificação financeira. Com isso, nós temos muito mais condições de
investir mais no futebol. Então quando o torcedor observa e comemora
contratações mais importantes que do ano passado, isso nada mais é do que a
consequência de um projeto. Nós vivemos no Vitória um projeto, e este projeto
vem a cada ano se solidificando. Esperamos que no ano que vem tenhamos um
orçamento ainda melhor com condições de fazer contratações ainda mais
expressivas.

BN – No início do ano passado vocês fizeram algumas apostas que não
deram certo. Depois de perder o título estadual, ficou com receio do restante
da temporada?

Falcão – Não, acho que não. O
título do ano passado foi perdido em um detalhe e nós tínhamos consciência, e
eu disse isso o ano inteiro, que estávamos no caminho certo. Na verdade as
contratações são um negócio de risco, elas podem dar certo ou não. O que nós
fazemos aqui é pesquisar, investigar para você diminuir as possibilidades de
que isso ocorra. E é isso que nós fizemos no ano passado. Em momento nenhum nós
achávamos que estávamos no caminho errado, pelo contrário, agora obviamente,
como eu já havia dito, contratação você pode acertar ou errar. O que a gente
busca é acertar mais do que errar, mas sempre existirão contratações que não
darão certo, não somente no Vitória, mas em qualquer clube de futebol.

BN – Qual foi o ponto fundamental para a equipe engrenar no primeiro
turno da Série B, que foi espetacular?

Falcão – Acho que houve uma
combinação de fatores. A preparação física estava em um momento muito bom. A
parte técnica muito boa. A tática e a motivação dos atletas. Eu acho que essa
união de fatores fez com que o grupo atingisse o seu melhor momento no
campeonato, e foi exatamente por isso que a gente conseguiu criar a gordura que
precisávamos criar para o final da temporada.

BN – O que foi que aconteceu que na reta final a equipe caiu tanto de
rendimento? Na sua opinião, qual foi o motivo?

Falcão – Acho que vários motivos.
Quando você tem um case de sucesso, dificilmente esse case de sucesso é baseado
em só um fator. É uma congregação de fatores que fazem o sucesso, da mesma
forma quando o sucesso não ocorreu ou não ocorre da maneira como se espera, eu
entendo que não foi um motivo só. Houve uma queda do rendimento físico, acho
que houve divergências internas que podem ter prejudicado o grupo, e acho
também que com a gordura acumulada muitos atletas relaxaram e achavam que já
estavam com tudo ganho, que era o melhor do mundo, e isso gerou um pouco de
acomodação. Quando viram que precisavam correr atrás, os outros clubes que
disputavam conosco já estavam vendo um momento melhor e ficou recuperar o tempo
perdido.

BN – É verdade que para substituir Paulo César Carpegiani vocês
pensaram em trazer Luiz Felipe Scolari?

Falcão – É verdade. Não fizemos
nenhuma proposta, mas Raimundo entrou em contato com o empresário do treinador.
Na verdade seria um tiro curto, nós ainda não temos orçamento para um treinador
com esse investimento. Mas pensamos sim porque era um mês só e se tivesse dado
certo, nós teríamos feito esse sacrifício e trazido para dar uma mexida, porque
naquele momento achávamos que tínhamos a possibilidade de perseguir o título, e
mexeríamos nisso sim.

BN – Ficou uma pontinha de frustração apesar de saber que o objetivo
era o acesso, mas não conquistou o título que estava praticamente nas mãos da
equipe?

Falcão – Eu acho que o título não
estava praticamente nas mãos, porque nós abrimos a vantagem, mas já vimos isso
acontecer em muitos clubes. Se você lembrar, o Atlético Mineiro tinha também
uma vantagem enorme sobre o Fluminense, e o Fluminense conseguiu se recuperar,
virar, ultrapassar e ser campeão com duas rodadas de antecedência. Se eu lhe
disser que nós não preferíamos ter sido campeões eu estaria mentindo e eu nunca
minto, eu como dirigente tenho obrigação de falar a verdade para o seu
torcedor. Então é claro que preferíamos ter sido campeões. Porém, a grande meta
do clube na temporada foi o acesso e essa grande meta nós conquistamos.

BN – E a escolha de Caio Júnior? O que falar desse profissional?

Falcão – Caio é um treinador que
tem algumas características que a gente gosta muito. Ele gosta de trabalhar com
a base, ele é um estudioso do futebol, se você conversar com Caio você vai ver
que ele se preocupa com o lado técnico, ele avalia vídeos, ele gosta de
trabalhar com o lado psicológico. Caio é um treinador que treinou clubes de
Série A, todos os clubes tiveram aproveitamento superior a 50%, isto é,
estiveram sempre ali perto da zona da Libertadores, e acima de tudo, Caio tem o
case de sucesso, na minha opinião, o maior case de sucesso na história dos
pontos corridos, que foi levar o Paraná, com um orçamento modesto, a uma
Libertadores da América.

BN – O Vitória terá quatro competições em 2013. Já está disputando a
Copa do Nordeste, vai disputar também o Campeonato Baiano na segunda fase, Copa
do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Dentro de uma perspectiva realista, no
estadual e no Nordestão o rubro-negro entra como favorito? E na Copa do Brasil
e no Brasileiro?

Falcão – Eu acho que o Vitória no
campeonato regional, tanto no Baiano quanto na Copa do Nordeste, ele tem que
entrar para ser campeão. Eu disse isso em uma reunião aqui com a comissão, que
o único mérito nosso nessas duas competições é o título. Óbvio que podemos
ganhar ou perder, estamos disputando a competição com outros clubes, tem clubes
que estão disputando, principalmente o Nordeste, com orçamentos próximos aos
nossos, mas nós temos que entrar para ser campeão. Isso é o grande objetivo.
Quando você entra em uma Copa do Brasil, você sempre tem e sempre há o sonho de
ser campeão. Porém, é uma competição mais difícil. Eu acho que o Vitória tem
que estabelecer como meta primeiro disputar uma Libertadores. Isso pode
acontecer em 2013, 2014, 2015, enfim, a cada ano, nós nos fortalecemos. Nós
estamos falando de um projeto de futuro, nós não pensamos o Vitória em 2013.
Nosso planejamento estratégico é o Vitória 2020. Se você tiver a oportunidade
de mostrar, e você leve ao nosso torcedor, nós temos um planejamento de longo
prazo para o clube. E a cada ano nós avançamos mais. Então temos sim as metas
de sermos campeões do Nordeste, do Campeonato Baiano, de fazermos uma grande
exibição na Copa do Brasil, ficarmos entre os principais finalistas dessa
competição, e uma Série A cada vez mais competitiva, eu acho que a gente tem
que lutar para estar na parte de cima da tabela, e não na parte de baixo. Acho
que esses são objetivos realistas para essa temporada de 2013.

BN – Clubes como Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro,
Fluminense, têm orçamentos muito maiores que o Vitória. Como concorrer com eles
de igual para igual?

Falcão – Não podemos. O Vitória
não poderá, não somente o Vitória, mas Vitória, Coritiba, Bahia, Sport,
Náutico, o próprio Criciúma que subiu esse ano, Atlético Paranaense, são clubes
que têm orçamentos similares, a mesma cota de TV. E esses orçamentos giram na
faixa de R$ 60 a R$ 70 milhões por ano, que já é muito quando comparado ao que
tínhamos quando assumimos a gestão financeira do Vitória. Porém, é muito
distante dos R$ 300 milhões que tem o Corinthians, São Paulo, R$ 250 milhões
que tem um Internacional, Fluminense, enfim, a distância é enorme. Temos que
fazer mais com menos, errar menos, buscarmos trabalhar mais na motivação,
buscar trabalhar na minimização dos nossos erros porque se formos apenas no
critério investimento, não tem como. O Fluminense por exemplo, eu vi uma
reportagem em que ele investe, somente em sua folha, mais de R$ 110 milhões por
ano, somente na folha. Enfim, é muito difícil, o futebol brasileiro é muito
desigual, e nessa desigualdade nós temos que buscar, dentre os desiguais,
sermos os melhores.

BN – Quanto é a folha do Vitória anual?

Falcão – Quando chegarmos na
Série A, planejamos uma folha na faixa de R$ 2 milhões por mês, esse é o valor
aprovado pelo nosso conselho deliberativo, pelo orçamento que nós apresentamos,
e entendemos que esse é o montante que está compatível com o orçamento do
clube, acho que nós chegaremos lá.

BN – Uma previsão realista e clara do futuro. Quando você acha que o
Vitória poderá bater, em um futuro próximo, com essas equipes que eu citei
anteriormente, Flamengo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Fluminense, e em termos de
títulos?

Falcão – Você hoje tem três
grandes grupos do futebol brasileiro. Você tem aqueles que têm as menores
cotas, as cotas intermediárias e as grandes cotas. Eu diria que no topo você
tem o Flamengo, Corinthians, São Paulo, Internacional. Acho que esses são os
quatro clubes no Brasil que tem maiores orçamentos e orçamentos superiores a R$
200 milhões. Aí depois você tem o grupo dos que tem orçamento na base de R$ 150
milhões, e aí você tem o Atlético, Cruzeiro, Grêmio. Eu acho que o Vitória para
se tornar competitivo, e essa é a nossa grande meta do nosso planejamento
estratégico, nós temos que chegar a um orçamento de R$ 100 milhões. Essa é a
meta da atual política do planejamento que nós temos. E entendemos que nós
temos que chegar nisso até 2017, essa é a grande meta que o planejamento
estratégico do Vitória estipulou para os próximos cinco anos.

BN – Você é a favor da substituição dos pontos corridos pelo mata-mata
na Série A? Muito se comenta que essa fórmula é prejudicial principalmente para
as equipes do Nordeste, que têm orçamentos mais modestos.

Falcão – Eu prefiro a fórmula
atual. Acho que, obviamente, dentro de um campeonato de pontos corridos as
chances de um clube de menor orçamento ser campeão são muito menores. Se você
observar, desde que foi instituído o campeonato de pontos corridos, nenhum
clube de orçamento menor conseguiu ser campeão e dificilmente acontecerá.
Porém, esse modelo de campeonato dá a todos um calendário pré-estabelecido,
facilita a comercialização das cotas de TV, então eu acho que se por um lado
dificulta o título para clubes de menor orçamento, por outro dá a esses clubes
um horizonte melhor de planejamento financeiro.

BN – Muitos clubes brasileiros estão investindo em jogadores que ajudam
no marketing também. Vocês pensam nisso? Lógico que o jogador rendendo dentro
de campo também.

Falcão – Eu acho que a prioridade
hoje para o Vitória é um grupo competitivo. Se você observar, os clubes que
fizeram isso, muitos deles não obtiveram êxito, posso lhe dar alguns exemplos.
Outros sim, eu posso te dar exemplo de Adriano no Flamengo, não obteve êxito, o
próprio Ronaldinho no Flamengo não obteve êxito. Em compensação você teve o
Ronaldinho no Atlético, você teve o Ronaldo no Corinthians, então é uma aposta
de risco, é uma aposta cara e de risco. Hoje a nossa prioridade é a
competitividade do atleta. Nós não estamos buscando contratar jogadores com
mais idade e que sejam mais conhecidos, pelo contrário, se você observar as
contratações que nós fizemos, todos são jogadores jovens, motivados e com
vontade de vir jogar no Vitória. Esse é nosso principal critério.

BN – Por falar em marketing, como será o investimento do clube nesse
setor em 2013?

Falcão – Nós temos algumas ações
previstas. Estaremos lançando em março o nosso padrão 2013, estaremos em maio
lançando um livro sobre a história do Vitória, estamos já trabalhando em uma
nova campanha de marketing para esse ano e a grande campanha desse ano será com
o nosso sócio-torcedor. Teremos mudanças expressivas no Sou Mais Vitória e eu
acredito que na primeira semana de março essas mudanças já estarão disponíveis,
já fechamos parceria com uma das maiores empresas do Brasil e o nosso
sócio-torcedor vai ter 250 produtos para que ele possa comprar com desconto. Já
estamos fechando 30 empresas exclusivas do Vitória onde nosso sócio vai ter
desconto desde a compra de apartamento até no restaurante, enfim, eu acredito
que esse ano o grande marketing do clube será o seu programa SMV.

BN – Uma polêmica gira em torno do clube em 2013. Jogar ou não na Arena
Fonte Nova. Qual é a posição do clube?

Falcão – Não existe polêmica. O
Vitória já tomou a sua decisão, nós jogaremos cinco partidas, assinamos
contrato com a Arena Fonte Nova para jogarmos essas cinco partidas, eu quero
esclarecer que o Vitória não pagará aluguel, muito pelo contrário, o Vitória receberá
valores consideráveis para jogar na arena essas cinco partidas, posso garantir
ao nosso torcedor, que no aspecto financeiro, os jogos serão muito bons para o
clube, e depois, no final do ano, no início do ano que vem, iremos promover um
amplo debate com o nosso sócio torcedor e com o conselho deliberativo para que
a gente possa decidir o que fazer em 2014, já que a decisão de 2013 já foi
tomada.

BN – Muitos torcedores reclamaram da Penalty neste último ano, seja pó
falta de material em lojas ou até mesmo a qualidade dos produtos. O Vitória tem
contrato com a empresa, mas há alguma chance de isso ser renegociado?

Falcão – Não, e eu discordo, acho
que o nível de satisfação com a Penalty esse ano foi fantástico. Queixas
pontuais podem ocorrer, e essa questão foi porque as vendas das camisas da
Penalty superaram as previsões iniciais. Quando uma empresa faz o seu
planejamento, ela toma com base o ano anterior. E no ano de 2011 o desempenho
da nossa venda foi ruim. E em 2012, não somente pela campanha que nós fizemos
em campo, mas a campanha de marketing, e aí é importante ressaltar que essa
campanha foi totalmente financiada e paga pela Penalty, eu acho que a Penalty
foi no ano de 2012 um grande parceiro do Vitória e nos ajudou muito não somente
com o lançamento da camisa do acesso, que foi um sucesso total, com a camisa do
“meu sangue é rubro-negro”, várias delas foram lançadas, totalmente vendidas,
com as camisas específicas para sócios, que nós lançamos e vendemos também, e
principalmente com a campanha que foi sucesso no Brasil inteiro, inclusive fora
do país.

BN – Você chegou ao clube em um momento ruim. Como foi que aconteceu o
convite de Alexi?

Falcão – Eu não conhecia o
presidente Alexi. Quando assumiu o Vitória, ele se apavorou com a situação que
encontrou, com as finanças do Vitória, com o caos que reinava na parte
financeira, tributária do Vitória, e conversando com amigos comuns ele disse
“meu Deus, eu preciso de alguém que me ajude a resolver isso”. Me apresentaram
em um almoço e ele me pediu para eu ajudar, eu tenho uma empresa de consultoria
especializada em reestruturação, gestão, fazemos consultoria para grandes
empresas do Brasil, e através daí eu comecei a ajudar ele e as coisas começaram
a acontecer e ele me convidou para ser vice-presidente no primeiro, manteve o
convite no segundo e nós estamos muito felizes por termos conseguido dar essa
contribuição e hoje a gestão financeira do Vitória é apoiada nacionalmente, é
matéria de destaque no Lance, em revistas de circulação nacional, essa transformação
que nós conseguimos fazer no clube nesses seis anos.

BN – Você tem um grande mérito na
reestruturação do clube no geral e é apontado como candidato a presidência no
final deste ano. Independente do que acontecer em 2013, é algo que deseja por
gostar do clube?

Falcão – Eu pretendo continuar
ajudando o Vitória. Não faço questão, já disse várias vezes, de cargos, eu acho
que temos um projeto, e esse projeto não é meu e do presidente Alexi, esse é o
projeto de um grupo. Nós somos um grupo unido, que mesmo nas dificuldades
permaneceu unido. Então essa questão, ninguém deve ser candidato pensando em si
mesmo, é egocentrismo, eu acho que a pessoa tem que estar voltada a servir o
clube, nós temos que servir o Vitória, e não nos servir do Vitória. Eu não tenho
ambição pessoal nem farei jamais campanha para lançar meu nome a candidato do
Vitória. No momento certo, e esse momento não é agora, nós nos reuniremos,
presidente Alexi, eu, Epifânio, Carneiro, o nosso amigo e presidente do
conselho José Rocha, Silvonei, Newton Sampaio, Raimundo Viana, Pedro Amâncio,
isto é, o grupo que hoje dirige o Vitória irá se reunir e debater o assunto, e
desse grupo sairá um nome que nós entenderemos como o nome mais indicado para
dar prosseguimento a esse projeto. Mas o momento de falar sobre isso não é
agora, temos que pensar hoje no Vitória, nas contratações e nas competições que
nós iremos disputar esse ano.

BN – O Vitória é a agremiação
brasileira que mais diminuiu suas dívidas nos últimos anos. Como foi feito esse
trabalho?

Falcão – Nós buscamos desde o
início fundamentar o nosso projeto em várias ações. A primeira delas é
questionar o passivo anterior, isto é, o Vitória tinha dívidas que entendemos
que não eram devidas e buscamos o questionamento de muitas delas. Uma outra
parte foi reduzir os gastos, então hoje a diretoria do clube, eu, presidente
Alexi, Epifânio, diretoria de patrimônio, diretoria jurídica, é formada por
pessoas que amam o Vitória e abrem mão de qualquer remuneração em prol do
clube. Somente isso, eu fiz um levantamento simples, isso gerou uma economia
superior a R$ 12 milhões se você for contabilizar não somente salário em
cargos, prêmios, expertises e etc. Então isso foi uma das razões. A outra foram
as renegociações que fizemos. Somente com o sócio argentino nós fizemos uma
renegociação que gerou um resultado superior a R$ 5 milhões para o Vitória.
Fizemos um enxugamento de despesas também e tivemos um maior aumento de
receitas dos clubes brasileiros, o Vitória foi o segundo clube no Brasil que
mais aumentou as suas receitas nesse período. Então a combinação de negociação
dura com os credores, renegociação de dívidas, questionamento de dívidas que
entendemos que não eram devidas, um modelo de gestão fundamentada em
conselheiros abnegados pelo clube que entenderam aquele momento e vieram para o
clube para serví-lo, enfim, tudo isso somado resultou nesse case de sucesso.


BN – Algum grande arrependimento
nesses anos de Vitória?

Falcão – Não, arrependimento
nenhum. Porém, eu aprendi muito nesses seis, sete anos. Eu aprendi que a gestão
de um clube de futebol é diferente da gestão de uma empresa. Os princípios são
os mesmos, mas você tem que ter um jogo de cintura maior, uma paciência maior,
você tem que entender que o seu negócio é a paixão, e que do outro lado o
grande cliente, o torcedor, ele é movido por essa paixão. Então não tenho
arrependimentos, mas tive a oportunidade de aprender muito. Eu digo sempre que
o Falcão que entrou aqui não é o mesmo Falcão que sairá em breve.

BN – Faça uma avaliação de tudo o
que você passou desde sua chegada quando o clube estava na Série C?

Falcão – Foi muito difícil. Eu
tive muitas vezes que dar a aval pessoal. Isso não é bom, isso gera, o presidente
Alexi até mais do que eu, mas tive oportunidade de eu dar avais pessoais e isso
deixa você inseguro porque se a bola não entra é seu patrimônio pessoal que
está sendo comprometido. A família questiona isso também. Nós tínhamos uma
dificuldade também muito grande de tudo, não tínhamos crédito, tínhamos
centenas de títulos contestados, milhões em impostos vencidos, hoje o Vitória
tem certidão de todos os títulos de cartório, você pode puxar e ver, o Vitória
tem planejamento estratégico de longo prazo sendo cumprido, o Vitória tem
certidões negativas, celebrou convênio com o governo do estado. Se você chegar
no nosso estacionamento você vai ver máquinas trabalhando e isso é fruto de um
convênio que nós celebramos com o governo do estado, para fazermos novos
campos, novas quadras para a comunidade. Nós estamos finalizando e eu espero
que se tudo dê certo, anunciarmos em breve um projeto de convênio com um
ministério dos esportes para nossas divisões de base que também só é possível
com a nossa situação fiscal regular e quando eu vejo tudo isso hoje, quando
vejo nosso orçamento hoje, eu comparo com aqueles R$ 7 milhões de 2006, os R$
11 milhões de 2007, isso dá uma sensação muito boa de dever cumprido, e nós
fizemos tudo isso, tudo isso, não foi para mim, para o presidente Alexi, para
nossa diretoria. Fizemos tudo isso para que o Vitória, para nossos filhos, ver
um Vitória melhor do que tem hoje.


BN – O que a torcida pode esperar
de 2013?

Falcão – Trabalho. Acho que a
torcida pode esperar muito trabalho, a gente tem uma dedicação exclusiva,
diária ao clube, a diretoria do Vitória é participativa, o grupo que está sendo
montado é competitivo, o treinador que nós trouxemos é um treinador de ponta do
futebol brasileiro, nosso diretor de futebol é ex-presidente de um clube de
ponta do futebol brasileiro, disputou Libertadores, enfim, aonde você olha para
o Vitória, você vê que o Vitória está crescendo. Então eu acho que o nosso
torcedor pode e deve esperar um 2013 melhor que o ano de 2012, que foi um ano
muito bom.

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